“Estávamos contando os dias”: Produtores já vendem pinhão nas estradas de Gramado

Quem percorrer a RS-115 e a RS-235, em Gramado, já encontrará fumacinha saindo das chaminés de casinhas. É o início da venda do pinhão. A colheita e a comercialização são permitidas a partir de 1º de abril, conforme determina lei estadual.

Mas para quem ama a semente da araucária, uma notícia preocupa: a redução na colheita. A Região das Hortênsias e especialmente os Campos de Cima da Serra se caracterizam como os maiores produtores de pinhão do Estado.

Enquanto no ano passado foram colhidas 600 toneladas, neste ano, este número deve ser menor, com uma queda de até 60%. Os dados são da Emater-RS/Ascar.

“A redução na safra se deve principalmente às condições climáticas durante o período de reprodução e crescimento do pinhão: secas recorrentes nos últimos anos e chuvas abundantes no final do inverno e início da primavera, juntamente com a alternância de produção, que é uma característica da espécie”, aponta a engenheira florestal Adelaide Ramos.

As oscilações de produção da Araucária angustifólia são cíclicas. Como planta nativa, a espécie apresenta variações de produtividade, em média, a cada três anos.

Maior produtor

Um dos maiores produtores é São Francisco de Paula, com uma produção anual estimada em 120 toneladas em safra normal. Para este ano, a produção prevista é de cerca de 40 toneladas, ou seja, uma redução de mais de 60% em relação à safra anterior. O município conta com cerca de 160 famílias da agricultura familiar envolvidas na atividade de coleta e extração do pinhão.

Já Muitos Capões e Jaquirana, municípios com 70 e 160 famílias envolvidas na atividade, respectivamente, estimam ambos produção de 120 t, o que representa uma redução de 20% em relação à última safra. Cambará do Sul, com 100 famílias envolvidas na atividade, apresenta uma estimativa aproximada de produção de 36 toneladas, 40% inferior à safra do ano passado

Em Canela, deve ocorrer um crescimento na produção de até 100% em relação à safra anterior, porém, 10% menor do que a normal. “A produção histórica atribuída, com as imensas dificuldades de diagnóstico, fica na casa de 30 toneladas/ano”, relata o extensionista Alexandre Meneguzzo.

Impacto será sentido no bolso

Em Gramado, a Emater estima a extração de 1 a 2 toneladas de pinhão. “A comercialização é em quantidade maior devido a grande parte do pinhão comercializado por bancas ser extraído em São Francisco de Paula e Canela”, diz a chefe do escritório na cidade, Janete Basso.

Em relação aos preços, com a queda na produção, o valor aumenta. “Estamos com extrativistas em Cazuza Ferreira e São Francisco. Mas acredito que julho e agosto não terá pinhão para tirar e isso vai impactar no preço, com a inclusão do combustível nas contas. Antes tínhamos a semente aqui, este ano não”, coloca a presidente da Assecopi, entidade do setor, Rosângela da Silva. O pacote com 2kg está sendo vendido por R$ 30.

Menos semente para venda

Na Assecopi, 11 famílias comercializam, além de 80 que fazem a coleta. De 10 toneladas na safra normal, apenas 4 devem ser vendidas neste ano. “Estávamos contando os dias para o 1º de abril, pena que esse ano tem pouca semente. E isso faz parte daquele ciclo da araucária, ano passado tivemos muito pinhão”, pontua a presidente Rosângela.

A preocupação, ainda, já visa o ano que vem. “A gente vê de um ano para o outro nos pinheiros, e não vemos quase pinha para ano que vem, então sabemos que também será baixa a produção.”