Lula diz que “Trump não tem o direito de acordar e achar que pode ameaçar um país”

Foto : Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, “não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país”, em uma entrevista publicada nesta quinta-feira (16) pelo jornal espanhol El País. Trump não tem o direito de acordar de manhã e achar que pode ameaçar um país. Não tem direito. Ele não foi eleito para isso. O mundo não lhe dá direito a isso, a Constituição americana não garante isso e muito menos a carta da ONU, afirmou Lula.
O presidente brasileiro, 80 anos, concedeu a entrevista ao jornal espanhol às vésperas de uma viagem a Barcelona, onde se reunirá na sexta-feira com o primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, e no sábado participará de um fórum internacional de lideranças da esquerda.
Lula também disse que telefonou para o presidente da China, Xi Jinping, para o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, para o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e para o presidente da França, Emmanuel Macron, para pedir uma reunião sobre a situação internacional. No mesmo sentido, considerou que a ONU precisa ser repensada para adaptar-se ao contexto atual. Chegou o momento de redefinir as Nações Unidas para lhe dar credibilidade, porque, caso contrário, o Trump tem razão, opinou.
“As instituições internacionais não cumprem o papel para o qual foram criadas. E por quê? Porque os cinco países do Conselho de Segurança, que deveriam ter um comportamento exemplar, não o têm”, acrescentou Lula.
Questionado sobre a situação na Venezuela, o presidente afirmou que seria favorável a uma convocação de eleições, após a queda em janeiro de Nicolás Maduro durante uma intervenção militar dos Estados Unidos.
“Eu penso que teria que ter um processo eleitoral pactuado com a oposição para que, ao terminar as eleições, o resultado fosse acatado e a Venezuela voltasse a ter paz. O que não pode acontecer é os Estados Unidos acharem que podem administrar a Venezuela. Isso não é normal, não tem lugar na democracia”, acrescentou.
