“É suspeita”: Atual mulher do PM preso se torna alvo da investigação sobre o desaparecimento da família Aguiar

A investigação em torno do desaparecimento de Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, e dos pais dela, Isail Aguiar, 69, e Dalmira Aguiar, 70, ganhou mais suspeitos.

Agora, além do ex-marido de Silvana, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, também passaram a ser considerados investigados, e não mais testemunhas, a mulher atual do PM, o irmão dele e um amigo.

A informação foi confirmada pelo delegado Anderson Spier, que apontou desdobramentos da apuração conduzida pela Polícia Civil, que deixa clara a participação de cada um deles na trama por trás dos crimes.

Segundo Spier, o inquérito esclarece que a atual companheira do PM, que atua na área de TI, teria apagado dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem (armazenamento online) logo após o crime, em Cachoeirinha.

“Ela é suspeita”, afirma o delegado. “Sabíamos que ele recebeu auxílio e, conforme a investigação avança, se torna mais claro que mais pessoas sabiam do crime e o ajudaram a acobertar.”

Já o irmão do brigadiano teria deletado imagens de câmeras da casa onde moram a mãe dele e Cristiano. Quanto ao amigo do policial, colaborou mentindo a respeito de álibis que o suspeito das mortes não possui.

A atual mulher e o irmão do PM já estão implicados pelo crime de fraude processual, garante o delegado. Já o amigo dele deve responder por falso testemunho devido ao depoimento que não corresponde à verdade.

“Continuamos investigando se alguém mais participou dos crimes em si, mas, por enquanto, o que temos é que eles colaboraram, sim, para atrapalhar a investigação da Polícia Civil sobre o principal suspeito do caso”, explica.

 

Prova

Na última terça-feira (24), exatos dois meses após o crime vir à tona, a Polícia Civil divulgou uma prova técnica considerada fundamental para ligar o policial militar ao desaparecimento de Silvana.

Conforme a polícia, está confirmado que o aparelho celular que pertencia a Silvana estava com o ex após o desaparecimento dela. E não apenas isso. Circulou por Canoas enquanto o policial militar estava de serviço, para a Brigada Militar, nos dias 26 e 27 de fevereiro.

O soldado atualmente preso no Batalhão de Polícia de Guarda da Brigada Militar, em Porto Alegre, trabalhava na época na 3ª Companhia do 15º Batalhão de Polícia Militar (BPM).

“Rastreamento do celular da vítima apontou que o aparelho estava circulando por Canoas, inclusive no quartel onde ele prestava serviço, nos dias 26 e 27”, apontou o delegado Anderson Spier. “Agora não resta dúvida da autoria.”

 

Entenda o caso

No dia 24 de janeiro, um sábado, Silvana Germann de Aguiar publicou no Instagram que ela havia sofrido um acidente de trânsito quando retornava de Gramado, mas que estava “bem”.

Um dia depois, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saíram de casa para tentar encontrar a filha, mas acabaram igualmente desaparecidos, dando início ao mistério que perdura até hoje.

Ex-marido de Silvana, um soldado da Brigada Militar lotado em Canoas, prestou depoimento como testemunha. Explicou sobre a rotina que mantinha com a ex-mulher, já que compartilhavam a guarda de um filho de 9 anos.

Dias depois, no dia 10 de fevereiro, ele acabou preso temporariamente como suspeito do desaparecimento. Isso porque a Polícia Civil descobriu as brigas mantidas pelo soldado com a ex devido à guarda compartilhada da criança.