Defesa Civil fala sobre retorno do El Niño; veja quando e como o fenômeno afeta o RS
A possibilidade de retorno do El Niño volta a acender o alerta no Rio Grande do Sul. O fenômeno climático esteve presente nos anos recentes e, associado a outros sistemas meteorológicos, contribuiu para episódios extremos de chuva que resultaram em enchentes no Estado em 2023 e, principalmente, em 2024.

Foto: Paulo Pires/GES
Agora, novas projeções indicam que o fenômeno pode se formar novamente. De acordo com estimativas da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, há indicativos de formação do El Niño no segundo semestre deste ano.
O meteorologista da Defesa Civil gaúcha, Bruno Ribeiro, explica que a presença do fenômeno pode influenciar diretamente as chuvas no Estado. Segundo ele, existe possibilidade de precipitação acima da média, principalmente durante a primavera de 2026.
Além do aumento da chuva, também pode ocorrer maior frequência de tempestades. Em alguns pontos, essas instabilidades podem ser intensas.
Impacto pode não ser o mesmo
Mesmo assim, o meteorologista ressalta que a projeção não significa que episódios extremos como os registrados em anos recentes irão se repetir. Ele lembra que, nas enchentes de 2023 e 2024, o El Niño estava presente, mas outros fatores também tiveram papel importante, como frentes estacionárias e situações de bloqueio atmosférico.
Ribeiro também destaca que, por se tratar de uma previsão com vários meses de antecedência, o cenário ainda pode sofrer alterações ao longo do tempo conforme novas atualizações climáticas sejam divulgadas.
Estouro de Vento de Oeste
Outro fator que tem chamado a atenção de meteorologistas é a detecção de um fenômeno atmosférico de grande escala no Oceano Pacífico. Projeções da MetSul Meteorologia apontam a ocorrência de um Estouro de Vento de Oeste, conhecido pela sigla WWB.
Esse tipo de evento ocorre quando rajadas intensas passam a soprar no sentido oposto aos ventos alísios tradicionais, empurrando águas mais quentes para o centro e o leste do Pacífico. Esse deslocamento altera a estrutura térmica do oceano e pode acelerar o desenvolvimento do El Niño.
O fenômeno também favorece a formação das chamadas ondas Kelvin, que se deslocam em direção à América do Sul e aprofundam a termoclina, camada que separa águas quentes superficiais de águas frias em maiores profundidades.
Quando esse processo ocorre, a subida de águas frias diminui e o aquecimento da superfície do mar se intensifica, criando condições favoráveis para um El Niño mais forte.
Histórico preocupa
Historicamente, eventos climáticos marcantes e anos de extremos meteorológicos, como 1982, 1997 e o biênio 2023-2024, foram precedidos por episódios semelhantes desse tipo de fenômeno no Pacífico.
A interação desse processo com a Oscilação Madden-Julian também pode ampliar a formação de nuvens e tempestades nos trópicos. Isso cria um ciclo de retroalimentação que acelera o aquecimento do oceano e reforça as condições típicas do El Niño.
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