Três Coroas promove evento alusivo ao Dia Mundial de Conscientização sobre o autismo

No Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, Três Coroas foi palco de um evento acolhedor e instrutivo sobre a causa. Em diferentes endereços, entidades, pais de portadores do espectro autista e os próprios pacientes puderam aproveitar a oportunidade em um momento de conforto e reflexão da causa na quinta-feira (2).

O cronograma de atividades, para além de dar visibilidade para a causa, foi pensado para manter a consciência acerca deste assunto. Direto do prédio da prefeitura, um banco foi pintado de forma característica ao tema, constituindo um lembrete permanente na Rua Coberta, local onde o restante das ações ocorreu.

Nesse segundo endereço, também foram pendurados balanços sensoriais e construídas placas destas características, que posteriormente serão posicionadas em escolas da rede municipal para acolher este público.

“É importante sempre esse movimento, não só hoje, Dia da Conscientização do Autismo, mas também ao longo de nossa gestão, todas as atividades e as ações que temos feito para poder melhor assistir e promover a inclusão dessa nossa comunidade”, destaca o prefeito Fabiel Port.

Entre as iniciativas realizadas na cidade, está a construção de três pracinhas apropriadas para estes grupos especiais, além de outras quatro em fase de projeto.

O evento do dia 2 também reservou um momento para ampliar as informações, acessos e direitos aos pais, conhecidos como “pais atípicos”, e os próprios portadores do espectro.

Ao fim da tarde, foi realizado na Rua Coberta um bate-papo com profissionais da área da saúde, pedagogia e direito, tratando sobre o tema e suas possibilidades. Inclusive, o momento foi marcado pelo anúncio do novo serviço de acolhimento aos pais atípicos, com periodicidade mensal.

Relatos de quem vive na pele

Eliane Balt, 42 anos, é mãe atípica e integrante do grupo de pais envolvidos com a causa na cidade. O filho de Eliane, Braian, tem 15 anos e faz parte dos portadores de suporte 3, sendo um adolescente não verbal no estágio mais alto da condição. O diagnóstico que mudou a vida dos dois saiu há 13 anos e, desde então, apresenta desafios novos todos os dias.

O evento, para ela, carrega um grande significado. “Antes eu era uma Eliane, quando eu descobri que meu filho era autista, a cada dia era uma nova dificuldade. Gostaríamos, com esse evento, que fôssemos mais vistos, que o Braian pudesse ir em um lugar e (as pessoas) entendessem que ele é autista. O autismo não é só hoje, é todos os dias, na adolescência, na velhice, e a preocupação de mãe é como vai ser quando eu não estiver aí”.

Gabriela Tizian, 37, descobriu a condição há 2 anos. O período, desde então, foi repleto de dificuldades, mas também de aceitação quanto a todas as experiências vividas.

“Quando recebi o laudo, vivi um luto. Quem eu fui até meus 35 anos? Por que eu fazia aquelas coisas se eu não gostava? Quanto tu entende o porque de muita coisa que aconteceu na tua vida, tu falas assim: ‘não sou louca, estranha’”.