Qualidade da água pode virar questão judicial no Vale do Paranhana
Gosto, cheiro e coloração diferentes. Essas características foram sentidas durante o consumo de água, parcial ou totalmente, nos últimos dias em cidades da região. No Vale do Paranhana, Rolante e Taquara foram os municípios a alegarem o problema. O primeiro destes, inclusive, ingressou com ação civil pública para a Corsan resolver estas questões.

A situação mais avançada em termos de discussão se encontra em Rolante. Na cidade, o prefeito Alceu Trevizani anunciou, através de suas redes sociais, uma ação judicial para que a Corsan restabeleça a qualidade da água em até 48 horas. A ação teria sido protocolada na segunda-feira (30). A companhia, no entanto, alega que o cenário é mais complexo e que o que compete à Corsan já foi e está sendo feito.
“Identificamos que o problema de Rolante era o descarte irregular de algumas pisciculturas muito próximo a nossa captação. Aplicamos todo o protocolo, só que como a carga era muito grande e algo que não é possível de ser tratado na ETA (Estação de Tratamento de Água), isso precisa ser tratado na raiz, não pode despejar o resíduo das suas atividades em qualquer lugar”, explica Cintia Kovaski, gerente de relações institucionais da Corsan. Segundo ela, é de responsabilidade dos órgãos públicos articularem essa mudança junto aos produtores locais, uma vez que a companhia “não tem poder de polícia fiscalizadora” e nem “atribuição para tratar com essa atividade”.
A prefeitura de Rolante alega que o encaminhamento da situação ao Poder Judiciário se deu pela lentidão em resolver as pendências, “com o objetivo de garantir uma resposta mais rápida e eficaz”, a fim de assegurar “à população o acesso à água potável e de qualidade”.
A administração municipal não se posicionou sobre a menção da Corsan, sobre ser sua a responsabilidade e de demais equipes públicas quanto ao descarte irregular de piscicultores da cidade em afluentes próximos ao manancial.
Problemas também em outras cidades da região
Taquara enfrentou certa inconstância no abastecimento e uma água com coloração escura depois das fortes chuvas que atingiram a região. “Notei esse gosto (dia 24) ruim na hora de fazer minha higiene bucal, também um pouco de cheiro. Quem deu uma sofrida com essa água foram nossas cadelinhas; quando percebi 7 ou 8 vômitos delas no pátio, me assustei”, conta Luis Bolfoni, 42 anos, morador do bairro Recreio.
Já Roni Ferraz, 37, do bairro Centro, informou, no mesmo dia, que chegou a comprar um novo filtro, achando que seu aparelho havia estragado.
A Corsan justifica esse “gosto” na água ao aumento no número de algas nos mananciais, mas o devido protocolo já foi executado e solucionou o caso.
Estância Velha, que organiza um momento para esclarecimento de dúvidas junto à comunidade nesta quarta-feira (1º), encara o mesmo cenário de odor e sabores na água.
Os atendimentos da Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento do Rio Grande do Sul (Agesan) serão realizados em dois locais: na sede da Corsan, na Rua Farroupilha, 453, durante a manhã, e no Centro Administrativo Gabriel Steiner, na Rua Anita Garibaldi, 299, no período da tarde.
