“Recebeu uma ligação e nunca chegou no destino”: Homem encontrado sem cabeça e com as mãos amarradas trabalhava com tele-entregas
João Pezão saiu de casa com a mochila de trabalho e usava uma motocicleta emprestada, que até hoje não foi localizada

Foto: Arquivo pessoal
A morte de João Vitor de Lima Borges, 25 anos, conhecido como João Pezão, segue cercada de dúvidas e com detalhes que aumentam o mistério sobre o caso. Morador da Coab Vila Tereza, em São Leopoldo, ele trabalhava com tele-entregas de moto e desapareceu após sair para o que seria mais uma entrega.
Ligação e sumiço
Segundo o irmão da vítima, Andrei Marley Borges, 27, o último contato de Pezão com amigos ocorreu na noite do dia 3 de março. “Ele recebeu uma ligação e nunca chegou no destino”, relata.
De acordo com ele, João Vitor estava trabalhando naquela noite e passou na casa de um amigo, no bairro Rio dos Sinos, próximo de onde o corpo foi localizado dias depois. No local, ele recebeu uma ligação e saiu sem dar maiores explicações. A suspeita é de que tivesse se deslocado para realizar uma tele-entrega.
“Ele estava ali, trabalhando, e saiu para ver essa ligação. A gente acha que era uma tele. Depois disso, ninguém mais conseguiu contato com ele”, conta o irmão. Ainda conforme Borges, a família começou a estranhar o desaparecimento durante a madrugada do dia 4.
“Mandaram mensagem pra ele por volta da meia-noite e já não respondia mais. O celular já estava desligado. Um amigo que mora com ele também sentiu falta porque ele não voltou pra casa”, diz.
O irmão expõe que também tentou contato, mas só percebeu a gravidade da situação ao amanhecer. “O amigo dele até me ligou de madrugada, mas eu não vi. Quando acordei, por volta das seis da manhã, vi as mensagens e a gente já começou a procurar. À tarde, fizemos o registro de desaparecimento.”
“Não era de confusão”
João Pezão saiu de casa com a mochila de trabalho e utilizava uma motocicleta emprestada, que até hoje não foi localizada. O capacete também desapareceu. Ele vestia roupas que costumava usar no dia a dia de trabalho, como camiseta do Grêmio, casaco escuro, calça jeans e tênis
Para a família, não há dúvidas de que o jovem foi vítima de um crime. “Eu acredito que foi alguém que fez alguma maldade pra ele. Ele não era de confusão, era trabalhador, estava bem, fazendo janta com o amigo antes de sair. Disse que ia fazer umas entregas e já voltava, mas nunca mais apareceu”, desabafa Borges.
O irmão acredita que se Pezão tivesse “qualquer problema na rua” que se sentisse ameaçado, sequer sairia de casa. “Ele [João Vitor] não era bobo. Se ele tivesse devendo, se ele tivesse cabreiro com alguma coisa, eu acho que ele não tinha nem saído de casa”, sublinha.
Corpo encontrado sem cabeça
O corpo de João Vitor foi encontrado boiando no Rio dos Sinos no final da manhã de terça-feira (24), preso em uma das pilastras da ponte da BR-116, sem a cabeça e com as mãos amarradas para trás, em avançado estado de decomposição.
A identidade foi confirmada nesta quarta-feira (25) pela Delegacia de Homicídios, após exames do IGP. Por volta das 14 horas de hoje, o corpo de Pezão foi sepultado no Cemitério Municipal Cristo Rei, em São Leopoldo. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar os responsáveis.
