Confira a nova leva de emendas rejeitadas ao Plano Diretor de Porto Alegre

Somente nesta semana, já foram negadas 23 alterações do Fórum de Entidades

Vereadores da oposição defenderam emendas do Fórum de Entidades em plenário - Foto : Fernando Antunes/CMPA
Vereadores da oposição defenderam emendas do Fórum de Entidades em plenário
Foto : Fernando Antunes/CMPA

Dando continuidade à leva de rejeições, a Câmara de Porto Alegre rejeitou, durante a tarde desta quarta-feira (8), 11 emendas do Fórum de Entidades ao Plano Diretor. As votações continuarão durante a noite, conforme acordado no colégio de líderes.

A Casa Legislativa já havia negado, na última segunda-feira (6), outras 12 alterações de autoria do fórum, que foi o principal instrumento de participação da sociedade civil durante a elaboração do documento. Na tribuna, os parlamentares da oposição reproduziram depoimentos em vídeo dos representantes das entidades e lamentaram o andamento da votação.

“Nós estamos vivendo um momento de vergonha. Falar em gestão democrática, para o governo Melo, não existe. Não é um possibilidade falar em democracia para um governo autoritário, que não escuta o seu povo, que não escuta as bases”, afirmou a vereadora Grazi Oliveira (PSol). “É muito ruim ser representante da população e ter que dizer para a população que, até o mínimo, estamos tendo que debater e estamos sendo derrotados”, completou.

Confira as emendas rejeitadas nesta quarta-feira:

  • Emenda n°175, que instituiria que a remessa ao Poder Legislativo de projeto de lei para instituir Operação Urbana Consorciada seria precedida de regularização de assentamentos irregulares de comunidades de baixa renda, na sua área de abrangência;
  • Emenda n°177, que adicionaria a Outorga Onerosa da Alteração de Uso (OOAU), que seria disciplinada por Lei Complementar, entre os instrumentos de gestão do território urbano;
  • Emenda n°178, que classificaria como objetivo da OOAU “ordenar a expansão do território urbano, constituir reserva fundiária e financiar a regularização fundiária e a produção de habitação de interesse social”;
  • Emenda n°179, que determinaria que a OOAU é o instrumento por meio do qual o Município autoriza a alteração de uso de uma determinada área da cidade, mediante contrapartida prestada pelo interessado beneficiário, com base em cálculo da valorização imobiliária ocasionada”;
  • Emenda n°181, que estabeleceria que “as áreas regularizadas por meio da REURB-S, serão classificadas como ZEIS (Zonas Especiais de Interesse Social) através de decreto do Poder Executivo, com regime urbanístico próprio, sendo consideradas Áreas de Requalificação Urbana até sua integração plena à estrutura urbana, preservando o acesso às mesmas exclusivamente a famílias de baixa renda, que não possuam condições econômicas de atender a necessidade de moradia no mercado”;
  • Emenda n°182, que suprimiria o § 2º do art. 205. Sem a aprovação, mantém-se estabelecido que a “classificação como ZEIS será analisada no curso do procedimento de regularização fundiária ou dos projetos integrados de requalificação urbana, sendo admitida a aprovação de projetos urbanísticos independentemente da instauração da ZEIS”;
  • Emenda n°184que classificaria as Zonas Especiais de Interesse Social em seis eixos distintos, conforme os diferentes modelos de ocupação;
  • Emenda n°187, que estabeleceria que o Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental (CMDUA) deve ser composto por 33 membros titulares, sendo 11 de órgãos setoriais da administração Direta e Indireta do município, e 22 representantes da sociedade civil. O texto também estabeleceria que o Presidente do CMDUA seria eleito dentre os integrantes do mesmo.
  • Emenda n°190, que determinaria que o “Conselho do Plano Diretor, as Regiões de Planejamento e o Fórum de Entidades serão envolvidos no levantamento de prioridades objetivando acelerar a concretização dos objetivos e diretrizes do Plano Diretor ao nível mais próximo do cidadão”;
  • Emenda n°191, que incluiria as Regiões de Gestão do Planejamento e o Fórum de Entidades entre os componentes do Sistema de Gestão, Controle, Planejamento e Financiamento Urbano (SGC);
  • Emenda n°197, que trata dos corredores de biodiversidade, “estruturas ecológicas planejadas para conectar fragmentos de vegetação, promover o fluxo de espécies, conservar os ecossistemas e regular o clima urbano”.

Entenda

Depois de seis anos de sucessivos adiamentos, o Plano Diretor foi protocolado no dia 12 de setembro de 2025. A matéria estabelece diretrizes para o planejamento urbano municipal da próxima década.

O projeto do Executivo foi revisado e complementado em uma comissão especial do Legislativo, composta por 14 vereadores que trabalharam em sete eixos temáticos. No plenário, a proposição foi discutida pela primeira vez em 15 de dezembro de 2025, às vésperas do recesso parlamentar. Já a segunda sessão de discussão aconteceu somente em 9 de fevereiro.

A votação do projeto e de suas emendas iniciou na madrugada do dia 12 de março. As últimas semanas foram marcadas por negociações entre a oposição e o Executivo municipal. Na última segunda-feira, os dois blocos chegaram a um acordo que adiantou a apreciação de 154 emendas da oposição. Desse total, 136 foram rejeitadas e 18 foram aprovadas. A expectativa é que o movimento tenha reduzido os encaminhamentos em até um mês.