Médico de Taquara: Com mais de 40 denúncias, cardiologista é indiciado por crimes contra pacientes e funcionárias

*Alerta: Esta reportagem aborda violência contra a mulher. Se você é sensível ao tema, a matéria pode despertar gatilhos. Veja abaixo como denunciar.

O fim da primeira quinzena de abril começou com o indiciamento do médico cardiologista Daniel Pereira Kollet, de 55 anos, pelo crime de violência sexual mediante fraude. Ele foi preso em seu consultório, em Taquara, no dia 30 de março, acusado de crimes sexuais contra pacientes e funcionárias.

Médico foi preso no seu consultório, em Taquara - Foto: Polícia Civil
Médico foi preso no seu consultório, em Taquara – Foto: Polícia Civil

De acordo com o delegado Valeriano Garcia Neto, três inquéritos já foram concluídos e enviados para a Justiça na segunda-feira (13). Ao todo, já são 42 mulheres que registraram boletim de ocorrência e prestaram depoimento na Delegacia de Polícia Civil de Taquara. 

Segundo o Código Penal, o crime de violência sexual mediante fraude ocorre quando há conjunção carnal ou ato libidinoso utilizando artifícios que impeçam a livre vontade da vítima, sem violência física ou grave ameaça. A pena base é de 2 a 6 anos de prisão.

Além disso, a Polícia Civil investiga também os crimes de estupro, estupro de vulnerável e importunação sexual. A Delegacia de Taquara continua à disposição para receber novas denúncias, que podem ser agendadas pelo WhatsApp (51) 98443-3481. 

O que diz a defesa

A defesa de Daniel Pereira Kollet não retornou aos recentes contatos feitos pela reportagem do ABCmais. Em 30 de março, o advogado Rômulo Campana disse que seu cliente nega todas as acusações. “Trata-se de médico há quase 30 anos, com conduta ilibada, cuja atuação profissional sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes.”

Daniel Pereira Kollet segue preso preventivamente no Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), em Porto Alegre. 

Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher

Brigada Militar – 190
Deve ser acionada imediatamente em situações de violência em andamento. Atendimento 24 horas em todo o Estado.

Polícia Civil
A vítima pode registrar ocorrência preferencialmente em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer Delegacia de Polícia. Também é possível solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Delegacia on-line
Permite o registro de ocorrência e a solicitação de medidas protetivas de urgência pela internet, sem necessidade de deslocamento.

Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para a rede de atendimento. A ligação pode ser anônima.

Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende vítimas em suas Promotorias de Justiça e oferece canais de atendimento virtual.

Defensoria Pública – 0800 644 5556
Presta orientação jurídica gratuita às vítimas.

Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Oferecem acolhimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.