Faca, fita adesiva e premeditação: Homem que matou jovem em Parobé é indiciado por feminicídio

*Alerta: Esta reportagem aborda violência contra a mulher. Se você é sensível ao tema, a matéria pode despertar gatilhos. Veja abaixo como denunciar.

A baiana Ana Beatriz Fernandes da Rocha, de 20 anos, decidiu se mudar para o Rio Grande do Sul com o namorado, Gabriel de Freitas, 32, há cerca de três anos. O motivo teria sido  a busca por melhores condições de trabalho, e após um período em Porto Alegre, o casal passou a chamar Parobé, no Vale do Paranhana, de casa. 

Apesar do relacionamento instável, marcado por idas e vindas, a jovem não esperava ser vítima de um crime hediondo, premeditado e cometido por Freitas, no começo de abril deste ano. Ana Beatriz acabou morta a facadas no último dia 7, na residência onde morava com o criminoso na Rua São Luis, no bairro Guarani.

Ana Beatriz foi morta a facadas na manhã desta terça-feira - Foto: Reprodução/Redes sociais
Ana Beatriz foi morta a facadas na manhã desta terça-feira – Foto: Reprodução/Redes sociais

Freitas chegou a fugir, mas foi encontrado às 13 horas daquele dia em Glorinha, cerca de duas horas após matar a companheira. Segundo o delegado Francisco Leitão, que investigava o caso, havia indícios de premeditação por parte do criminoso

“Segundo apurado, o suspeito estava com a ideia de ceifar a vítima há alguns dias, situação que se intensificou na noite anterior aos fatos. Além da faca utilizada, o suspeito teria deixado separada uma fita adesiva grossa para imobilizar as mãos da vítima”, afirma.

O feminicídio foi motivado por ciúmes. Ele confessou o crime às autoridades e foi indiciado na segunda-feira (13), menos de uma semana após a morte da companheira, por feminicídio consumado.

 

Apesar das desavenças entre os dois, não houve registros de boletim de ocorrência contra o suspeito por parte da vítima. O delegado disse que, anteriormente, apenas havia um registro de violência psicológica envolvendo outra vítima.

Como Ana Beatriz era de Salvador, o corpo foi transferido para a Bahia, onde os atos fúnebres foram realizados.

A reportagem não localizou a defesa de Freitas. O espaço está aberto para manifestação.

A jovem foi a 27ª vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026. O Estado havia chegado à 26ª vítima horas antes, com a descoberta do crime praticado contra Veridiana de Barros Alves, 46, em Novo Hamburgo.

Onde pedir ajuda em casos de violência contra a mulher

Brigada Militar – 190
Deve ser acionada imediatamente em situações de violência em andamento. Atendimento 24 horas em todo o Estado.

Polícia Civil
A vítima pode registrar ocorrência preferencialmente em uma Delegacia da Mulher ou em qualquer Delegacia de Polícia. Também é possível solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Delegacia on-line
Permite o registro de ocorrência e a solicitação de medidas protetivas de urgência pela internet, sem necessidade de deslocamento.

Central de Atendimento à Mulher – Disque 180
Funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para a rede de atendimento. A ligação pode ser anônima.

Ministério Público do Rio Grande do Sul
Atende vítimas em suas Promotorias de Justiça e oferece canais de atendimento virtual.

Defensoria Pública – 0800 644 5556
Presta orientação jurídica gratuita às vítimas.

Centros de Referência de Atendimento à Mulher
Oferecem acolhimento psicológico e social, além de orientação e encaminhamento jurídico.