Amante assassinado: Casal do Vale do Sinos vai a júri acusado de emboscada

Os colegas de trabalho tinham um relacionamento amoroso conturbado. Ela, vendedora, casada, 29 anos. Ele, motorista, solteiro, 27. O marido traído, um industriário de 29 anos, descobriu tudo quando a mulher estava grávida. O amante foi morto a tiros porque estaria disposto a expor a relação extraconjugal.
O casal, que é de São Leopoldo, foi denunciado pelo homicídio e vai a júri no dia 7 de maio em São Sebastião do Caí. A data foi marcada há duas semanas pela juíza Priscila Anadon Carvalho.
O intrincado crime aconteceu na noite de 13 de dezembro de 2024. Jeanderson da Câmara levou três tiros no carro que dirigia, um Fiat Uno. O corpo só foi encontrado na madrugada, caído sobre o volante. O motor ainda estava ligado, assim como os faróis. Na frente do veículo, havia um bloco de concreto. O para-brisa dianteiro estava estilhaçado.
Chamado
O local do homicídio, na Rua Sete, bairro São Martin, em São Sebastião do Caí, era o acesso à casa da amante. Conforme a investigação policial e o Ministério Público, a mulher havia chamado Camara para conversarem sobre o relacionamento. Para a acusação, se tratava de uma emboscada.
Perto da residência, o marido arremessou o concreto no Uno e o motorista parou. Ainda segundo a acusação, o agressor imediatamente abriu fogo contra Camara com uma pistola calibre 9 milímetros, de uso restrito.
Moradores da área ouviram vários tiros, mas foi o próprio acusado que avisou a Brigada Militar sobre um “carro suspeito parado na rua”. Ele e a esposa foram para a casa de parentes na cidade natal, São Leopoldo, onde acabaram sendo presos dois dias depois. O homem segue recolhido. A mulher recebeu prisão domiciliar em razão do nascimento da filha.
“Esquece a minha mulher, larga ela de mão”
A mulher se manteve em silêncio no interrogatório, mas o marido prestou longo relato. Confessou o homicídio e se disse arrependido, mas afirmou que não houve emboscada. Contou que, ao responder mensagens que a vítima estava enviando à esposa naquele dia, respondeu, pelo celular dela, recados como “esquece a minha mulher, larga ela de mão”.
Disse que o amante falou que ia lá para resolver pessoalmente a questão. Argumentou que estava profundamente abalado pela traição, segundo ele, descoberta no mesmo dia. Detalhou que ficou à espera do rival e que jogou a pedra no veículo.
Acrescentou que, temendo reação, atirou. Comentou que, no caminho da ida ao refúgio em São Leopoldo, jogou a arma num arroio. Também afirmou que não conhecia a vítima.
O acusado declarou que acreditava ser o pai da criança esperada pela esposa. E é, conforme exame de DNA feito meses após o crime.
“A maior besteira da minha vida”
Parentes e amigos também relataram a confissão. “Dei um tiro num rapaz perto de casa”, teria dito o réu confesso a um familiar que o recebeu na mesma noite. “A maior besteira da minha vida”, falou a outro. Os relatos são de que a esposa estava em estado de choque e mal conseguia andar após o homicídio.
O gerente da loja onde os amantes trabalharam juntos, no Centro de São Sebastião do Caí, declarou que só tomou conhecimento do relacionamento amoroso poucos dias antes do homicídio. A vítima já estava em outro emprego.
Irmã conta que vítima sonhava com paternidade
Uma irmã da vítima relatou que Camara pensava ser o pai do filho da amante e que nutria o sonho de assumir a criança e ficar com a mulher. Inclusive, segundo ela, já tinha escolhido os nomes para caso fosse menino ou menina.
A testemunha revelou que a vendedora chegou a ficar uma semana na casa dela, período em que Camara, já em outro trabalho, buscava a mulher na loja. Mas ela acabou voltando para o marido, contudo, sem deixar de se comunicar com o amante.
A irmã disse ainda que, no dia do crime, Camara saiu de casa por volta das 21 horas. Descreveu o “impacto devastador” da notícia da morte, às 8 horas do dia seguinte, salientando que o irmão era seu melhor amigo, com quem compartilhava confidências e proximidade afetiva profunda.
Defensores acreditam em absolvição
Os advogados acreditam em absolvição. “A defesa do acusado Marcelo confia plenamente no senso de justiça e sensibilidade do conselho de sentença e tem plena convicção que, após tomarem ciência dos fatos, irão acolher a tese defensiva e absolver o réu”, declara o advogado Marcos Hauser.
Já para o defensor da acusada, o único autor é o marido traído. “O verdadeiro culpado pela morte da vítima já admitiu o crime. Franciele é uma mãe inocente que enfrenta o julgamento mais difícil de sua vida enquanto amamenta e protege a sua filha recém-nascida. A defesa confia no Conselho de Sentença, que saberá decidir com justiça, responsabilidade e, acima de tudo, humanidade”, declara o advogado Vinicius Vargas.
